Radilson Carlos Gomes - Fotografia Documental

Radilson Carlos Gomes é formado em História, Especialista em Gestão de Saúde Pública e Comunicação e Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz.
Começou a sua carreira em 1986 em Brasília.
Em 1994 ingressou no Ministério da Saúde e passou a trabalhar em Documentários Fotográficos de Saúde Pública.
Professor de Fotografia, ministrou a disciplina de Iniciação à Fotografia para alunos de Fotojornalismo, Propaganda e Marketing, Publicidade, Arquitetura e Relações Públicas nas Universidades: Católica de Brasília, Universidade Paulista - UNIP, Faculdade JK e UNIPLAN de Brasília.

Publicações do fotógrafo: Livros: Brasília em 3x4 – O retrato de quem passa... Editora Thesaurus – DF, 2005; Saúde Mental – Novo Cenário, Novas Imagens... Editora Ministério da Saúde-DF, 2007; Estratégia Saúde da Família no Brasil...Editora departamento de Ciência UNB-DF,2008; Mercosul – Por Onde Passa a Saúde, Editora Ministério da Saúde-DF, 2008; Memórias da Saúde da Família no Brasil - Editora Ministério da Saúde-DF, 2010; Saúde do Sistema Penitenciário – Editora Ministério da Saúde – DF, 2010; Trabalhando com Pateiras Tradicionais – Editora Ministério da Saúde – DF, 2011; Cooperação Sul-Sul em Guiné-Bissau- Ministério das Relações Exteriores-DF, 2013; A Reforma da Atenção Primária no Rio de Janeiro 2009 – 2012, Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura do Rio de Janeiro-RJ, 2013. Exposições Fotográficas: Saúde Mental – Palácio do Planalto Brasília, Nova York (Stony Brook University); Usina do Gasômetro – Porto Alegre; Vancouver – Canadá; Oregon University psychology); Mercosul Por Onde Passa a Saúde – Palácio do Itamaraty do Rio de Janeiro, Palácio do Planalto Brasília.

O FOTÓGRAFO DE BRASÍLIA
TEXTO Arthur Vainfas (jornalista)
Em setembro de 2011, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro pediu socorro à Brasília em busca de um fotógrafo para renovar o saturado banco de imagens dos hospitais federais da cidade. Acostumados às agendas ministeriais, a expectativa era a da chegada de um dos corretíssimos profissionais da ‘base’, sempre eficientes e trajando o indefectível terno escuro, além, é claro, da Nikon.

Mas não foi exatamente isso o que aconteceu. A primeira surpresa foi a ausência do terno, substituído pelo não menos tradicional ‘colete de fotógrafo’, o que, sem dúvida, já era um bom indício. A segunda foi a própria pessoa, um rapaz com cara de garoto e que não parava de falar, como se o discurso tivesse sido acionado por um motor drive das antigas, clicando quatrocentas palavras/imagens por minuto. E a terceira foram uns livros que ele sobraçava, com a firmeza e o carinho só dispensados aos filhos queridos.

Os filhos em questão eram publicações do seu trabalho, que ele nos apresentava à guisa de um cartão de visitas. Foi um choque. Tendo à Saúde como pauta, o fotógrafo de Brasília revelou-se um artesão das imagens, que alternavam enquadramentos ousados, através da utilização da grande angular sem distorções, com uma infinidade de portraits que conseguiam transmitir, com preciosa precisão, o mais autêntico sentimento de seus modelos e personagens.

Acostumados, que estávamos, às imagens burocráticas no trato da Saúde, foi emocionante o contato com aquelas fotos que, independente do cenário, revelavam a beleza em seu estado puro. A luz tratada com carinho, sem a utilização dos recursos da linguagem digital, foi como uma viagem no tempo, um reencontro com a mais pura tradição da arte fotográfica.

O sorriso de escolares num Haiti devastado, a delicadeza na coleta do leite materno, o aconchego da mãe com a cria recém-nascida ou mesmo o balé de paramédicos num resgate aéreo na Amazônia são pequenos exemplos da apurada sensibilidade do fotógrafo de Brasília, que, a partir do seu trabalho na Saúde, já inseriu definitivamente o seu nome no fotojornalismo brasileiro.

A propósito, o fotógrafo de Brasília chama-se Radilson Carlos Gomes, mais conhecido como Radi. Guardem esse nome.


Por Arthur Vainfas (jornalista)